Bolha da IA? Segundo a XP, ainda não.

O diagnóstico da XP: fundamentos importam

Ao contrário da bolha das “pontocom”, quando muitas empresas tinham pouca ou nenhuma geração de caixa, as Big Techs hoje são lucrativas, apresentam balanços saudáveis e posição de caixa robusta.

Mesmo com múltiplos de preço sobre lucro elevados, os níveis atuais ainda estão abaixo dos patamares de euforia observados em bolhas passadas. Além disso, parte relevante dessa precificação está associada ao forte crescimento do investimento produtivo, especialmente em infraestrutura.

A leitura da XP é que o mercado não está precificando apenas expectativa, mas também estrutura produtiva em expansão.

A IA como ciclo estrutural

A análise parte da premissa de que a Inteligência Artificial representa um novo ciclo estrutural dentro da evolução tecnológica.

Não se trata apenas de uma tendência passageira, mas de uma transformação capaz de redefinir produtividade, eficiência e modelos de negócio.

Nesse contexto, a exposição a ativos ligados à IA pode fazer sentido estratégico dentro de portfólios de investimento.

As três fases da corrida da IA

1ª fase: Semicondutores
Base da tecnologia e primeira grande vencedora do ciclo. Empresas como Nvidia e AMD capturaram ganhos extraordinários ao fornecer o hardware necessário para processamento.

2ª fase: Infraestrutura
A chamada “espinha dorsal” da IA. Inclui provedores de nuvem, data centers e empresas de energia, como Microsoft Azure, AWS e Google Cloud. Aqui ocorre a consolidação da capacidade operacional.

3ª fase: Otimização de negócios
O estágio com maior potencial de geração de valor no longo prazo. Empresas de diversos setores passam a utilizar IA para ganhos de eficiência, redução de custos e criação de novos produtos.

É nessa fase que a tecnologia deixa de ser promessa e passa a impactar resultados de maneira mais ampla.

Pontos de atenção

Apesar dos fundamentos sólidos, há riscos relevantes.

O primeiro é a explosão do investimento produtivo. São centenas de bilhões de dólares direcionados para chips e data centers, ainda com incerteza sobre o retorno proporcional desse capital.

Outro ponto é a depreciação dos ativos. A vida útil real das GPUs pode ser menor do que o previsto contabilmente. Caso a obsolescência tecnológica seja mais rápida, os resultados podem estar parcialmente inflados.

Por fim, a alavancagem crescente preocupa. O aumento da dívida para financiar a corrida da IA pode gerar fragilidades estruturais na economia norte-americana.

Conclusão

Para a XP, a corrida das Big Techs representa uma mudança de paradigma tecnológico com fundamentos sólidos.

Não se trata, neste momento, de uma exuberância irracional.

No entanto, isso não significa ausência de risco. Correções na ordem de dois dígitos, inclusive quedas próximas de vinte por cento, são consideradas plausíveis, mesmo dentro de um ciclo estrutural positivo.

Em outras palavras: não há bolha, mas também não há imunidade à volatilidade.