Nas próximas duas décadas, os EUA passaram pelo maior movimento sucessório de toda a sua história. A Cerulli Associates, casa independente de Research de Boston (EUA), estima uma transferência de quase US$ 150 trilhões nos próximos 25 anos, a maior de toda a história financeira moderna.
“O avanço do Sonho Americano” - Como isso ocorreu?
1. Ambiente de forte crescimento econômico após a 2ª Guerra Mundial, marcado por avanço da prosperidade econômica, redes de Welfare ampliadas, consolidação das grandes corporações e estabilidade de empregos;
2. Ampliação do acesso ao mercado imobiliário, com preços descontados e alto potencial de valorização ao longo das décadas seguintes;
3. Apesar do histórico de grandes crises em Wall Street (Black Monday em 1987, Bolha da Internet em 2000, Subprime em 2008), os EUA gozaram de um boom financeiro como jamais visto, o que propiciou forte valorização acionária e crescimento da poupança das famílias;
4. Com a ampliação das redes de Welfare, surgiram novos benefícios trabalhistas (Social Security, Medicare, Housing Assistance, etc.) e forte ampliação dos fundos de pensão, o que deu origem a uma segunda poupança para as famílias.
“A Grande Concentração” - Quem detêm essa riqueza acumulada?
Segundo dados do FED, quase metade de toda a riqueza acumulada se concentra nas mãos da geração dos Baby Boomers, totalizando quase US$ 80 trilhões de patrimônio.
A geração foi assim nomeada devido ao boom de bebês que acompanhou o período pós-Guerra até meados dos anos 1960. Forte orientação ao trabalho, estabilidade e segurança financeira são alguns dos traços frequentemente associados à geração que mais poupou na história norte-americana. Investimento, Aposentadoria e Gestão de Patrimônio são temas comuns à geração dos Boomers.
Contudo, apesar da maior parte da geração ter “surfado” a onda geral de prosperidade que acompanhou o pós-Guerra, mais da metade do patrimônio em questão se concentra nas mãos de 2% das famílias ultra-Wealth da geração, em um movimento dominado pelas grandes estruturas de gestão patrimonial, holdings, trusts, conglomerados privados, multi family offices, fundos e portfólios exclusivos.
Além disso, outro traço que chama a atenção é a “transmissão horizontal”, isto é, concentração da sucessão às futuras viúvas, antes da geração seguinte de filhos.
“Diversificação e Segurança” - Quais as características dos ativos no portfólio boomer?
- Investimento financeiro, diversificando posições em ações, fundos exclusivos, previdência, treasuries, bonds e ativos alternativos;
- Imóveis, com diversificação comercial e residencial;
- Empresas familiares e participações privadas;
- Ativos ilíquidos com alto potencial de valorização, como obras de arte e coletâneas;
- Estruturas patrimoniais, como seguros, holdings e trusts.
“A Engenharia do Legado” - Os Desafios de uma Sucessão Complexa

O grande desafio da geração Boomer não será somente transferir recurso acumulado, mas sim organizar a transmissão de um ecossistema de ativos heterogêneos, o que pode criar um processo de sucessão com fortes assimetrias, múltiplas jurisdições, diferentes regras tributárias e maior risco de perdas e de disputas entre os herdeiros.
Na mitigação desses riscos, muitas famílias têm recorrido a ferramentas para reduzir fricção e minimizar as possíveis perdas no processo de transmissão. Mapeamento sucessório prévio, protocolos de governança, acordos familiares, avaliações e auditorias periódicas do patrimônio físico e, ainda, instrumentos de proteção, como seguros e estruturas jurídicas de transição, são algumas das soluções exploradas.
No final, o maior desafio para a geração dos Baby Boomers não será a falta de patrimônio, mas sim a falta de planejamento, a transmissão de legado sem fragmentação ou corrosão de patrimônio.

